Tenho dificuldade em assumir o controle da minha vida, mas busco o controle dos meus relacionamentos [e sofro por não tê-lo]. Contraditório.
Tenho uma ligeira preguiça em assumir responsabilidades, não sou dada ao trabalho mercantil ostensivo, mas sempre busco assumir a responsabilidade de fazer “dar certo” um relacionamento, como se por ilusão dependesse só de mim.
Por mim, eu escolheria viver do amor, da paixão, do encontro entre dois seres, do sentimento que alimenta o ego e o coração. E morreria de fome. Física.
Preciso encontrar o meu ponto de equilíbrio.
Pre-ci-so.
Mas aí eu me pergunto: Será o diálogo um facilitador ou a chave desta incógnita? Mas eu? Justo eu que sou tão dada aos questionamentos, às reflexões, como posso eu ter tanta dificuldade em pô-lo em prática? Há em mim a sensação do eu quero, mas não posso. Como se fosse o outro o detentor do defeito de não saber os benefícios da arte do diálogo.
Que eu atraio perfis parecidos eu já sei. Homens com dificuldade em saber o que querem e por que querem. Eu sou assim. Até hoje não lembro ou nunca soube definir uma meta tangível a longo prazo, que anseio conquistar para até o final dos meus dias – a não ser...
Companheiro.
É como se eu estivesse em “stand-by”, aguardando sua chegada para motivar-me. Alimento para minha alma, meus desejos, uma meta a longo prazo.
Eu compreendo que tal comportamento me é prejudicial. Vivo até encontrar aquele que mexerá com os meus sentidos, que habitará meus sonhos e delírios, que pulsa na mesma freqüência, mas que não seja presente só em meu pensamento. Que ele seja dado ao novo, ao conjunto e a capacidade de se re-criar, se assim for preciso e, até que ela apareça, vivo. Ou apenas vivo.
Tenho consciência que esta minha visão de vida é equivocada. Sofro. Sofro porque sei o quanto é errado, dolorido. Mas a mudança me é tão difícil. E só essa. Sou tão mais flexível no trabalho, nas relações humanas... mas não sou comigo mesma.
Que dificuldade é essa, a minha, de não procurar mudar o padrão nocivo do meu EU a ponto de me causar e insistir na possibilidade de tamanho sofrimento?
Será isso auto-sabotagem? Será isso o medo do novo? Do que ainda não sei o que está por vir? De mexer em uma estrutura que, por si só, ora e meia se encontra abalada?
Decerto aquele vulgo “calcanhar de Aquiles” é o demasiado apego no outro.
Há tempos mudei meu padrão de conduta. Já não me deixo levar pelo stress do dia-a-dia, das agruras que vejo acontecer, não alimento mais as neuras do cotidiano e nem acumulo tanto stress como tempos de outrora. Porém quando se trata de assuntos do coração é como se estivesse anestesiada, me sinto sedada e dificilmente racionalizo. Não imagina o esforço que faço para obter uma análise lógica e racional. Enfim, uma máquina inoperante quando o assunto é o coração.
Mas a pergunta ainda está aqui. Lateja inquietante, dia-e-noite, sem cessar.
Mas por que raios não vivo leve isso também?
Otimista que sou e que sempre procura enxergar o lado positivo da “coisa”, custa-me aceitar que esta falta de sabedoria em lidar com o coração seja por e tão somente aprendizado. Serei eu tão burra?
Pior de tudo é que, honestamente, mesmo sabendo que todo este esclarecimento esteja à Luz da minha consciência, este meu padrão de conduta cíclico perante os designos da Vida DEVE ser urgentemente mudado. Mas é que não encontro forças nem prazeres suficientes para mudá-lo e me sinto meio vazia, recebo o nada à troco de nada, o lugar vago, a lacuna incompleta difícil de preencher. É como se já me conformasse com o fracasso dos amores vividos e se a dinâmica permanecer, por toda esta vida, sofrer desse “mal” – incongruências da arte de amar. É como se me faltasse um braço, um pulmão, um rim, tão essenciais, tão dois.
Incompleta e incompreendida sigo. Na incongruência de desejar viver o DOIS acabo vivendo o UM. Um coração latente e cheio de amor vibrando no mundo...




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