Comigo... embaixo do meu edredon!


25/12/2009


Natal.

Eu nunca fui fã de comemorar o Natal. Desde pequena, meu sentimento dias antes e, principalmente no dia, é de melancolia, uma certa tristeza misturada com introspecção e vontade de ficar em casa, quieta. Não vejo motivos para comemorar. Não sei por que tantos fogos insistem em estourar enquanto escrevo estas linhas... já é Natal, e o meu, como muitos outros anteriores, se resume ao silêncio que, desta vez, se transcreve em palavras.

Há uma hora, eu estava aqui, nesta mesma cadeira, tentando elucubrar meus pensamentos e fazer deles algum texto decente. Poucos minutos antes da meia-noite tive o ímpeto (?) de fazer duas marmitinhas da comida que minha mãe nos fez hoje, coloquei duas frutas em cada, peguei o carro e saí aí pela rua. Mentalizei que encontrasse duas crianças que estivessem desamparadas por um pai físico... mas não pelo Pai espiritual. Não foi muito difícil encontrar duas pessoas. Não, não eram crianças. Minha mãe, sendo minha companhia no carro, de início foi rabugenta. Uma pena. Viu-me fazendo as marmitinhas e deu os seus pitacos desagradáveis, mas nada como a ação propriamente para fazer valer dentro dela o verdadeiro propósito da ação. A primeira pessoa foi um rapaz, que remexendo no lixo, procurava algo. Supomos que fosse comida. Talvez fosse. Talvez não. Ao parar o carro, percebi que não se tratava de um mendigo propriamente. Tinha uma bolsa. Tratou minha mãe com frases que terminavam com "senhora" - típico dialeto de quem já passou pelo sistema prisional. Talvez fosse bandido, talvez não. Que tipo de crime poderia ele ter cometido? Perguntas que me vieram após a entrega da primeira marmita, claro. Mesmo assim, nos pediu R$2,00 para o trem (?). E que "trem" poderia ser este? Deixo pra você a análise. Já entregue, disse eu que havia saído sem dinheiro. Partimos. Confesso que, em um primeiro momento, não fiquei feliz por ter dado-lhe a comida, quentinha, uma marmita que fiz com muito amor para dois seres completamente estranhos a mim. Pensei: "Deve ter gente melhor!". Porém aqui, agora, minha análise é mais fidedigna ao propósito Maior do Universo, uma visão não- egoísta da coisa. Afinal, quem sou eu para julgá-lo melhor ou pior de um possível outro recebedor da quentinha? Se somos todos iguais perante Deus, então subentendo que esta é uma tarefa que não me cabe. De verdade, espero que este alguém que, por dois minutos, cruzou meu caminho, tenha recebido nosso sentimento da mais pura Harmonia divina. Mas é uma pena ter sentido que este homem não saiba qual o verdadeiro e único sentido do Natal.

A segunda marmitinha foi logo em seguida e esta com certeza será bem aproveitada. Encontramos uma senhora, esta sim, moradora de rua. Ao ser abordada, me pareceu não entender bem o nosso propósito, mesmo a gente não ter falado quase nada a ela. Claro, recebeu a sacola mas, pra meu espanto e sua alegria, foi a latinha de guaraná o grande presente do seu Natal. Foi nítida a mudança no seu rosto ao receber tal líquido. Confesso, ali senti mais satisfação.

Olha como as coisas são, se nós formos analisar este acontecimento friamente, o que eu geralmente tenho feito, posso enxergar, mesmo tendo uma atitude bacana [e isto não foi uma propaganda], um ligeiro egoísmo em querer sentir satisfação pelo ato. Isto prova, mais do que qualquer coisa, ao menos pra mim, que o ser humano, por mais nobre que seja, dificilmente se livra do chaga do egoísmo, mesmo buscando fazer a sua parte neste mundo-cão. Difícil acreditar que muitas outras pessoas tenham ou teriam esta mesma percepção que tive da cena de hoje [se é para ser realista, serei no todo]. Além da satisfação, acho que muitos sentiriam provável sentimento de "fiz minha parte"

Não voltei feliz. Pelo contrário, permaneci com a mesma sensação de tristeza e melancolia. Talvez, até inconscientemente, tenha tido tal ímpeto como forma de aliviar as MINHAS sensações. Mas também [aprendi] não serei auto-terrorista e não me dar o devido merecimento por tal gesto.  Esta complexidade humana me intriga, me choca, me multila e me fascina. Pode até te parecer loucura, mas eu gosto de fazer estas análises, sabe, justamente porque são estas que te evitam super alimentar o ego, sinônimo de perigo, aquele que te faz acreditar ser o que você não é!

Enfim, voltei na mesma. Ouvindo fogos no caminho de volta pra casa e me perguntando: "Mas o que é que vocês tanto comemoram?". Não acho eu que o aniversariante do dia esteja feliz com o presente que tem recebido daqueles que um dia deixou-se crucificar por nós.!

"Porque tu és pó e ao pó retornarás"  (Gênesis 3:19)

 

              

  

 

 

 

Escrito por Marcella às 01h57
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24/12/2009


Juro que tenho umas idéias... mas sabe quando tu até tem o tempo, porém te falta paciência pra escrever... tô assim! Saco.

Escrito por Marcella às 23h11
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19/12/2009


Da arte de se conhecer - A Filosofia.

Aquele ano foi bem interessante...
Novas perspectivas de trabalho, vida pessoal. Tudo caminhava bem. Eu, claro, acompanhando o movimento, deixando o destino me guiar... afinal, tudo estava correndo bem.
Ao meu nível de consciência do passado, ter o livre-arbítrio, saber optar pelo sim ou pelo não era suficiente para não me causar grandes conflitos. Se deu certo, perfeito. Se não deu certo, pago e pronto. Afinal, quem escolheu fui eu. Assumir o risco. Acreditar, até então, que você tem o conhecimento e que mantém o controle [sobre as coisas].
O grande risco está quando você, a partir daí, assume uma postura passiva diante da Vida. Explico. As coisas caminham bem, você procura não se apegar a possíveis dores de cabeça porque decide aproveitar o momento, deixar a vida te levar e opta por seguir o fluxo das coisas. Seu dever é escolher, no "surgir" de uma encruzilhada, se o melhor é ir pra direita ou pra esquerda, mas tem consciência de que chegou até lá pelo vai-da-valsa, nada planejado, nada por “acaso”.
Até aí, acredito que o ser humano pode e deve aproveitar momentos onde só deva receber. Enfim, o presente veio. Ora foi a oportunidade que apareceu, ora alguém bacana que conheceu, a vida social que deu um “up” e você, nada bobo, adorou a idéia.
Mas como todo ciclo, isso um dia acaba. O que pra você não era nada monótono, pela ótica da Vida foi um período de colheita, pausa, estagnação, como quiser.
O ser humano é tolo o suficiente [e todos nós somos] porque o que se torna agradável é facilmente aceito. O oposto? Nem tanto.
Mas é que... sabe o que é... por vezes, eu escuto por aí: “To deixando a vida me levar.” E olha, se ainda não houve um dia que tu não disseste isto, saiba, vai dizer. Eu já disse. Eu já deixei. E eu aprendi que não é bem por aí. Quer ver?
Para melhor entendimento vou propor uma analogia ao assunto: De que te adianta acreditar que o fato de você acreditar poder escolher entre o sim e o não, em pleno alto-mar, te faz seguro? Ora, deixar a vida te levar é seguir com o fluxo, deixar-se levar pelas circunstâncias [as que surgiram e as que estão por vir], ser levado pela correnteza que é a Vida. Quem me dera poder te assegurar que, mesmo que por experiência própria, independente do quanto de livre-arbítrio você tem, que em pouco tempo te encontrarás em alto-mar, sob o efeito do vai-e-vem da maré, e que na ânsia de viver plenamente este ciclo de bons momentos, não percebe que é um joguete “na imensidão do oceano”, pois, por bondade absoluta, acredite, há uma Força Maior te forçando a virar o barco e seguir seu PRÓPRIO caminho.
Infelizmente, muitos, talvez a maioria, como eu, só se auto-enxergam "em alto-mar" quando a maré, naquele vai-e-vem quase imperceptível de senti-lo, te faz chocar-se contra as pedras. E naquele ano, naquele momento, a batida grande que foi, afundei. Fui visitar as profundezas do meu oceano. Te parece triste? Melancólico? Olha... e foi. Se me arrependo? De jeeeeeito nenhum. Acredite. Sou alguém melhor, não só por, mas também por isso. Seria injusto obter sabedoria por livros. O que seriam dos pobres?
Sabe, ouço por aí que, se conselho fosse bom nós venderíamos. Conselho não se vende. E também não se dá. Conselho não é para ser seguido, mas serve pra reflexão.
Se houve um dia que já tenha pensado ou se hoje pensa como Zeca Pagodinho... não te custa refletir em que ponto do oceano se encontra. Momentos de passividade são necessários e diria até inevitáveis. Cabe a sabedoria de cada um propor a si mesmo um choque pequeno... ou grande... nas pedras... porque elas estão lá... para todos... para ninguém... porque simplesmente estão... assim como você... que por sua vez, simplesmente está!
No meu choque, eu a descobri. Tão grandiosa. Para poucos, eu sei. Quem dera se a todos fosse dado seu acesso. A arte de conhecer a si mesmo. Até dá. A sabedoria prática da Vida – Prazer, eu sou a Filosofia!

Escrito por Marcella às 15h27
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12/12/2009


"Em nossas loucas tentativas, renunciamos ao que somos [ou sentimos] pelo que esperamos ser [ou sentir]."

 

William Shakespeare. [as inclusões são minhas]

 

Tal citação motivou-me a escrever algo sobre, então vejamos.

No início tudo é festa. Sem ter vivido ou passado por experiências, o homem aceita viver e à medida que estas vão lhe causando novas sensações, o homem começa a ampliar sua percepção em torno de cada uma dessas experiências, o que o faz ter noção hoje do que lhe é agradável e do que não é. Quando a experiência é ruim, logo a descartamos e a registramos no intuito de evitá-la no futuro. Porém, quando esta é boa, surge o apego, ou paixão, pode escolher. Queremos muito viver aquilo, manter-nos, de alguma forma, conectados com aquele sentimento bom. Apego. Paixão. Causa maior do sofrimento humano. O que muitos desconhecem é que o apego não é gerado por pessoas, fenômenos, locais, fatos, situações ou objetos. Cria-se o apego pela sensação experimentada, por aquilo que te causa e não pela causa. A mesma dinâmica que acontece com o que usa um alucinógeno, por exemplo, acontece com você. Você não vive o ecstasy, você vive pelo o que ele te proporciona. Ok, muito pesado. Mudarei o exemplo - Você ama o Jorge. Ele é o seu número, do jeitinho que sempre sonhou. Mas você conhece o João que te faz sentir do mesmo jeito que Jorge faz. Ambos têm suas qualidades e defeitos, mas é que agora você tem duas pessoas que te dão a mesma sensação. Você não sabe qual é o melhor.  Então racionaliza: “E agora?” Você entra em conflito. Já não sabe se ama mesmo Jorge. Se condena porque tem dúvidas. Já parou pra pensar que então tanto faz Jorge ou João? Ambos te estimulam a mesma sensação de prazer. E o que você quer é viver a plenitude da sensação!!! Como tudo na vida, esta tem seu preço – o apego. Sofrimento. Outro exemplo? Você, no auge dos seus 30 anos, tem um carrinho verde de infância. Foi feito pelo seu avô, já falecido. Lembra-se de ter ganhado quando finalmente entrou pros escoteiros mirins do seu bairro. Uau. Um marco.  

Belo dia, lá está você, trinta e mais alguns, levando algumas coisinhas da casa da sua mãe pra casa de vocês. Claro, você está noivo... vai casar daqui a duas semanas. Você tem de levar parte do seu passado para seu novo lar, e então leva o carrinho contigo. Passa um tempo, sua mulher arrumando a casa e... ploft! - deixa cair o tal carrinho verde. [Putz, justo aquele!] Ela não tem noçãooo do valor afeto-representativo que você tem por ele. Você chega, ela conta. Aí, pronto! A casa cai, o bicho come e ela fica sem entender porque tanta raiva. Fala que vai comprar um novo. Você, óbvio, diz: “Acha que adianta?”. Ora pantufas, claro que não adianta... afinal, o que te motiva no objeto é a sensação que ele te proporciona e não o objeto em si. Ele, por si só, é um carrinho verde artesanal. Um objeto. Pra tua esposa, velharia até. Mas ali tem contido sentimento ímpar, memórias, uma passagem da tua vida.

E então? Ainda duvidas que o que te apega não são pessoas, objetos, experiências, locais, e sim os sentimentos ou sensações que ele (a) te causa? Somos viciados pelo prazer da experiência e não por suas características. É por isso que eu, Marcella, gosto do azul, você gosta do verde, ela gosta do dourado. Não há o que racionalizar do por que gosta, mas sim do que te motiva, do que te leva a gostar, seja o que for - pessoa, experiência, objeto, local. E aí sim vale analisar se isso te faz bem ou não, se agrega lá na frente ou se só causa mais conflito pós-prazer. Escolhas. Perguntas do tipo: Se o ser humano é apegado à sensação causada pelo outro ser, circunstância ou objeto, quais sentimentos ou sensações que procuro viver? São efêmeras ou duradouras? Por qual apego mais sofro? Tenho tentado enfrentá-lo ou simplesmente ignoro vivê-lo para não sofrer? Sou forte? Sou fraco? Medo. Que apego te domina a ponto de desistir antes de tentar? Saiba escolher. Saiba refletir. Tenha sabedoria pra entender também que nem todo apego ruim vivido por você é necessariamente ruim. Mas saiba também não criar grandes expectativas por já ter vivido a experiência de algo bom e imaginar que sempre esta será tão boa como fora antes.

Quem dirige “seu carro?” Você? Ou o piloto automático?

Propósitos.

Quem disse que é fácil?

 

Escrito por Marcella às 21h17
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06/12/2009


Tenho dificuldade em assumir o controle da minha vida, mas busco o controle dos meus relacionamentos [e sofro por não tê-lo]. Contraditório.

Tenho uma ligeira preguiça em assumir responsabilidades, não sou dada ao trabalho mercantil ostensivo, mas sempre busco assumir a responsabilidade de fazer “dar certo” um relacionamento, como se por ilusão dependesse só de mim.

Por mim, eu escolheria viver do amor, da paixão, do encontro entre dois seres, do sentimento que alimenta o ego e o coração. E morreria de fome. Física.

Preciso encontrar o meu ponto de equilíbrio.

Pre-ci-so.

Mas aí eu me pergunto: Será o diálogo um facilitador ou a chave desta incógnita? Mas eu? Justo eu que sou tão dada aos questionamentos, às reflexões, como posso eu ter tanta dificuldade em pô-lo em prática? Há em mim a sensação do eu quero, mas não posso. Como se fosse o outro o detentor do defeito de não saber os benefícios da arte do diálogo.

Que eu atraio perfis parecidos eu já sei. Homens com dificuldade em saber o que querem e por que querem. Eu sou assim. Até hoje não lembro ou nunca soube definir uma meta tangível a longo prazo, que anseio conquistar para até o final dos meus dias – a não ser...

Companheiro.

É como se eu estivesse em “stand-by”, aguardando sua chegada para motivar-me. Alimento para minha alma, meus desejos, uma meta a longo prazo.

Eu compreendo que tal comportamento me é prejudicial. Vivo até encontrar aquele que mexerá com os meus sentidos, que habitará meus sonhos e delírios, que pulsa na mesma freqüência, mas que não seja presente só em meu pensamento. Que ele seja dado ao novo, ao conjunto e a capacidade de se re-criar, se assim for preciso e, até que ela apareça, vivo. Ou apenas vivo.

Tenho consciência que esta minha visão de vida é equivocada. Sofro. Sofro porque sei o quanto é errado, dolorido. Mas a mudança me é tão difícil. E só essa. Sou tão mais flexível no trabalho, nas relações humanas... mas não sou comigo mesma.

Que dificuldade é essa, a minha, de não procurar mudar o padrão nocivo do meu EU a ponto de me causar e insistir na possibilidade de tamanho sofrimento?

Será isso auto-sabotagem? Será isso o medo do novo? Do que ainda não sei o que está por vir? De mexer em uma estrutura que, por si só, ora e meia se encontra abalada?

Decerto aquele vulgo “calcanhar de Aquiles” é o demasiado apego no outro.

Há tempos mudei meu padrão de conduta. Já não me deixo levar pelo stress do dia-a-dia, das agruras que vejo acontecer, não alimento mais as neuras do cotidiano e nem acumulo tanto stress como tempos de outrora. Porém quando se trata de assuntos do coração é como se estivesse anestesiada, me sinto sedada e dificilmente racionalizo. Não imagina o esforço que faço para obter uma análise lógica e racional. Enfim, uma máquina inoperante quando o assunto é o coração.

Mas a pergunta ainda está aqui. Lateja inquietante, dia-e-noite, sem cessar.

Mas por que raios não vivo leve isso também?

Otimista que sou e que sempre procura enxergar o lado positivo da “coisa”, custa-me aceitar que esta falta de sabedoria em lidar com o coração seja por e tão somente aprendizado. Serei eu tão burra?

Pior de tudo é que, honestamente, mesmo sabendo que todo este esclarecimento esteja à Luz da minha consciência, este meu padrão de conduta cíclico perante os designos da Vida DEVE ser urgentemente mudado. Mas é que não encontro forças nem prazeres suficientes para mudá-lo e me sinto meio vazia, recebo o nada à troco de nada, o lugar vago, a lacuna incompleta difícil de preencher. É como se já me conformasse com o fracasso dos amores vividos e se a dinâmica permanecer, por toda esta vida, sofrer desse “mal” – incongruências da arte de amar. É como se me faltasse um braço, um pulmão, um rim, tão essenciais, tão dois.

Incompleta e incompreendida sigo. Na incongruência de desejar viver o DOIS acabo vivendo o UM. Um coração latente e cheio de amor vibrando no mundo...

Escrito por Marcella às 16h18
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Dia desses peguei um metro. Fazia tempo que não pegava um logo cedinho. E lá estava eu, na plataforma, embaixo de um relógio que marcava 7:35h. Apesar de ter usado a linha verde, não tão usual, quando me deparei com os vagões passando por mim quase que instantaneamente me lembrei desta mesma cena de alguns anos atrás. Uma típica cena de filme. Aqueles vagões sempre relativamente vazios no passado agora se encontravam bem cheios.

Entrei. Tinha um livro na mão, mas banco disponível... não. Fui absorvida pelo vai-e-vem das pessoas e suas fisionomias. Era uma terça-feira. Pareciam cansadas, entediadas, desmotivadas. Era como se alguém tivesse ligado seus botões-automáticos para lá estarem, atrasados ou não, rumo às suas rotinas. E é essa tentativa de reduzir a Vida às dimensões humanas que me aborrece, me intriga, entristece e que, por muitas vezes, choca e me faz agir como tal. Não que eu ache a rotina de todo ruim, mas envolta dos meus pensamentos comecei a questionar o que realmente valia à pena para aqueles meus “companheiros de viagem”. A pergunta era: “Por que estão aqui?” E claro que depois de justificar por várias hipóteses, não satisfeita, queria o centro, a raiz da pergunta, e eis que chego à resposta: Sobreviver!! E lamentavelmente se esqueceram de Viver. Pára tudo!! Tá errado!! Como alguém pode querer ser feliz [se é que podemos] desse jeito? Ok. Trabalhar é preciso - no pain, no gain – ahã. Mas... e o resto? Ou será o contrário? Primeiro Viver e esse resto é o trabalho? Se você é daqueles que tem prazer pelo o que faz saiba, você é um em um milhão. Agradeça por isso. Já se deu conta disso algum dia?

Naquela terça eu estava a caminho de uma consulta médica. Eu estava bem. Eu estou bem. Mas vi um montão de gente que dali não seguiam para suas “consultas médicas”. Ali estavam a caminho dos seus trabalhos... porém alguns cansados, outros infelizes, talvez mascarando algo dentro pra poder continuar “vivendo”. E eu, ser ultra pensante, coço a cabeça e me pergunto: “Até que ponto vale à pena seu esforço? Pra isso?” Até que ponto vale, pra você, o investimento maior que tu tem - tua Vida? [no sentido amplo e pleno da palavra] Afinal, o que te motiva?

Claro que pra responder, tua análise deve ser fria, coerente e que venha de dentro, sem máscaras... senão, de que adianta? Uma bolsa nova talvez? Baladas bacanas? Aquela super viagem? Aquele carro do ano que vem? Ah sim, você é daqueles de gosto refinado e só come em restaurante da moda ou indicados pela Veja... hum, sei sei.  E o alimento pro espírito? Alguém te lembrou disso? Não encho uma mão se for contar os amigos que um dia me lembraram disso. E por quê? Ahh, talvez não seja conveniente, né? Tu está lá, cheio de problemas, e vai conversar com teu amigo sobre isso? Ahhh, papo complicado esse, né?

Hora da entrelinha: Saiba - como eu soube - que o que te move não é o aparelho que fala mas o que dentro habita. Captou?

 

Conheço gente aficionada pelo trabalho. Conheço gente que não fica um dia sequer sem tonificar “o aparelho”. E até conheço gente que não tá nem aí pro trabalho, nem aí pro aparelho. Então fica a incógnita: “Será que desaprendemos o quanto é bom e saudável [sim] viver simples a ponto de nós, seres humanos, complicarmos tanto e nos causar nossos próprios danos?” Mas eu também conheço gente como eu, que tem preocupações com trabalho, vaidade, mas que acima disto busca um propósito maior para Vida. Muito louco pra você? Pode ser. Acho até que o que me conforta é saber que, historicamente, foram justamente os loucos, grandes homens loucos [pra sua respectiva época], que introduziram nos mais diversos campos, as idéias que hoje concebem diversas coisas que, inclusive você, pequeno homem não-louco, usa e abusa. Tem que haver algo a mais. Não pode ser só isso. Não é só isso!

 

Mas sabe o que é?

É que eu não sou senão um estado potencial, sentindo que há em mim água fresca. Estou em busca da fonte. De que me adianta o percurso se não sei onde fica minha nascente? Te faz lógica ler um livro da metade? Ir ao cinema e entrar na sessão após 40 min? Me canso dessa hipocrisia latente do ser humano que tacha o outro de louco e mal se conhece. Devo ser louca mesmo. “Sou uma pergunta, uma alma virada pelo avesso” já dizia Clarice. Tenho fome de conhecimento. Tenho fome de saber sobre o Eu, sobre Nós. Que culpa tenho eu de querer viver as emoções, os sentimentos, as circunstâncias do hoje... amanhã eu nem sei se estarei aqui pra contar mais alguma estória. Esqueça o óbvio, alcance a entrelinha, queira o plasma, o núcleo, o sentimento por detrás das ações. É isso o que vale: O SENTIMENTO. Se tu é capaz de captar o sentimento que antecipa qualquer ação/reação do outro, tu tens condições de escolher se unir ou não a este, porque já sente, já antecipa o propósito deste outro. E se for algo bacana? Ué, tá com medo? - “Eu, medo? Imagina” - Hum... desconfiado, então? Tem receio do que, me fala? O amanhã está tão longe... Saiba, enquanto tu te preocupa em planejar o amanhã, o hoje já se torna ontem e teus dias serão sempre o que há ainda por vir e nunca o que realmente é! Sempre aquela coisa de cultivar a esperança de que venha algo melhor. [amor, trabalho, evento] Esperança é metafísica. Se não sabe o que é, então vai procurar.

 

Um puta cargo no trabalho. “Bicho, o cara ganha horrores” – alguém diz. Ou então: “Cara, ele só tem 28 anos e já é manager!”. “Ah, esse tem perfil que visita o Duty Free 2x por ano. [no-mí-ni-mo!]”. Acha que está no seu melhor, tem altas projeções para a previdência privada e sonha que quando tiver lá pelos 60 anos estará deitado no barco em Búzios olhando a gaivota pairando sob sua cabeça... e? Aiii! Pobreziiinha da tua careca... e não é que ela tá toda melecada de cocô de gaivota. Puxa vida, que azar!

Moral da estória: Eu não sou diferente de você e você não é diferente do Aroldo que não é diferente da Mariazinha. Ou tu é diferente e acha que não vai virar pó também?

 

 

Faz sentido pra você?

Show. Você é dos meus. A gente sofre agora com algumas condutas, talvez por o ser humano, na sua qualidade de ser imperfeito, insiste na possibilidade de achar que a conduta ou maneira de enxergar as entrelinhas incitaria a mesma conduta no outro... ledo engano. Duplamente engano porque tu tem consciência do engano e mesmo assim volta e meia acredita e pronto, mais um engano. Mas se nos tirassem a opção de acreditar, o que seríamos de nós? Olha, lá no fundo, eu sei, há em nós a certeza que a recompensa será gratificante, mas se soubermos como levar a vida, claro.Ou será que pra você é ela que te leva?

 

Achou esse texto ridículo e não concorda com nada ou quase nada do que eu disse?

É... eu também estou aprendendo. Mas assim, boa sorte pra você! A vida se encarrega de te mostrar tal como é.

 

Escrito por Marcella às 14h50
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Texto escrito em 09/11/2009

... uma grande virtude do ser humano é aprender a respeitar o “tempo certo” das coisas. Cultivar a paciência – tarefa árdua - que exige de nós outras virtudes além do respeito. Compreensão, amor e persistência são, sem dúvida, parte do processo. Você não abandona o barco, apenas refugia-se da tempestade e, como num ciclo natural, não há chuva se não houvesse o sol. Marujo bom, que já tenha navegado por outros mares, sabe que coragem (ou maturidade) é condição fundamental para enfrentar grandes tormentas. Sua coragem não impede a chegada da dúvida, sensação de impotência. “Mas o que fazer diante do temporal, meu Deus?”– ele pensa, pois sabe que cada tempestade é única, possui duração e intensidade própria. É obrigado a abandonar seus planos de outrora. Consciente que, mesmo experiente, existem circunstâncias em que simplesmente nada ou pouco pode fazer. Parar uma tempestade? “No máximo se abrigar em local seguro e ficar atento para o barco não virar” – ele responde a si mesmo.

Marujo bom fica atento aos sinais. Mais que isso, sabe que o medo bloqueia o ato de viver intensamente cada momento, conhecer novas referências e se libertar para o que é mais divino!

 

Escrito por Marcella às 14h47
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29/10/2009


Festa de 5 anos do Asia 70 no Jockey Club em São Paulo (27/10)

Com vocês, a lenda da cobra cega.

Era uma vez uma cobra, que de tão cobra era serpente... seu veneno era doce e um dia me picou.
Fiquei meio anestesiada durante um bom tempo. Nem eu sei explicar bem o por que.
Quando achava estar vacinada, o veneno se apoderava do meu sangue-próprio e me deixava entorpecer por aquele veneno doce, porém sujo.
Uma loucura, eu bem sei!
Não entendia muito bem o porquê de querer/estar assim. Sabe o que é não saber nada de nada? E fui levando...
E nesse levar com a barriga chegava a trocar A por Z. Não racionalizava. Só justificava.
Eeee maravilhaaaa. Tapadaça!!!
Aí que aos poucos fui percebendo que se tinha alguém cego na cena era eu e não a cobra.
Pois então tratei de correr pra bem longe, aonde a cobra não me alcançasse. Seria fuga se não fosse a cura.
Pois quase curada, andei por distritos em comum. E não porque quis, mas porque fazia parte do caminho.
E eis que me deparo com ela - a cobra.
Lembrei do veneno, lembrei do antídoto...
O que eu não imaginava era a surpresa que o destino me reservou para aquele encontro.
A cega, que era eu e não a cobra, me picou e não doeu.
"Uai, que coisa estranha, não?" - pensei.
Percebi então que estava vacinada. Seu veneno já não fazia mais efeito. "Aleluia, 5x Aleluia!!!" - pensei.
Pois que, sem estar sob o efeito hipnótico da cobra, pude ampliar meus canais, vulgo anteninhas, como falo, para as circunstâncias ao redor. Não porque planejei, mas porque aconteceu de ser assim. (Acaso? rs)
E então... sur-pre-sa!
Encontrei uma ratazana podre andando do meu lado.
"Meo -De-us!!!" - chocada fiquei.
Aliás, não só eu, mas enfim. vamos adiante.
Alguém perguntou: "Mas certeza que era ratazana?"
E eu respondi: "Claro, não é rato que come de tudo?"

Bom, o resto da estória é muito, mas muito chata. Coisa de não se pagar dois centavos pela leitura. Então, irei poupá-lo (a), caso ainda esteja aí lendo meu conto.

Moral da estória: "Cobra burra pica até ratazana morta achando que picou coelhinho"

Ráh! Criei uma melhor... rs

"Tem pinto que se acha galo... e até aí dá pra confundir. Mas depois de um tempo, pinto que se passa por galo já se acha pavão. Mas como é galináceo, ele, o pinto, pode até fingir ser de espécie superior, mas a natureza... ahhh, meu caro, a natureza é sábia e cruel. Uma hora... uma hora a pena cai. Ele nunca foi pavão... nem galo. Ele é apenas um pinto!”
Apenas. E eu tenho é pena. Coitado do pintinho!

Mais ao fundo, ouço um voz feminina: "Mas, mas... ele não era pavão??? Eu só quero se for pavão. O que é que eu vou fazer com um pintinho?"

- "E eu sei? Eu nunca soube o que fazer mas, já que você procurou, agora cuida! FUI."


HAHAHAHAHAH

Um viva ao reino animal!

Escrito por Marcella às 22h18
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27/10/2009


Escrito em 24-10-09

Daqui a pouco 28!
Deve ser uma idade interessante... Tu não és balzaca e nem colegial vidrada em séries de TV a cabo.
Bom mesmo seria eu – 28 anos, corpo de 22 e cabeça de 35.
Ok. Missão impossível. Abortemos isso então.
A realidade é nua e cruel, e não crua, como dizem por aí.
De crua só se for aquela tua amiga recatada, ortodoxa, “semi-virgem” e leitora de Paulo Coelho.
Alguém de vocês tem amiga assim? Bem, certeza que eu não!
Mas voltemos à idade... quase 28 anos se passaram e chego à conclusão que a cota dos erros está maior que a dos acertos.
Antes que conclua, explico: O erro foi ter sido uma tentativa frustrada de acerto.
Óbvio. Só um idiota tenta pra errar. Mas tu vê como são as coisas... se eu não escrevo isso nego fala – “Nossa, eu não sou assim. Eu acerto bem mais que erro.” Devo dizer: “Ahhhh tá. Parabéns pra você?”
Como a vida não está fácil pra ninguém, eu vou tentando, no meu ritmo, mas vou.
Se eu vivo tentando acertar, não é a toa que a proporção maior da balança não seja a mais agradável.
O fato é que, com o tempo, pude não só perceber, mas compreender que não existe certo ou errado. Existem pontos de vistas.
Ok. Essa já é clichê. Já disse isso em outros textos.
Aprofundemo-nos em minhas outras descobertas, então.
Descobri que a compreensão e o diálogo é a chave para se viver BEM. Que são fun-da-men-ta-is para o bom andamento de qualquer relação humana;
Compreendi que por mais que tente argumentar contra, sábios são os conselhos da mama. E ir contra é aumentar o nível desproporcional da sua balança.
A duras penas entendi que pessoas vêm e vão. Que não existe essa de “sofrer é opcional” porra nenhuma. Se fez ou faz diferença, dói sim. Fato! Saudade então, inevitável. Sabedoria talvez fosse lidar com isso e não estagnar por causa disso. Ponto!
Que não existe sentimento mais nobre e sublime do que o Amor. Que não se deve economizar Eu te Amo para aqueles que realmente ama. (me refiro aqui a família) Hoje aqui? Amanhã talvez não!
Descobri que eu, Marcella, quando pronuncio “Eu te Amo” para os “no-family” é porque tem meu carinho e admiração, porque faz diferença na minha vida, porque quero tão bem quanto a mim mesma.
Percebi com o tempo que nem todos estes que amo me amam da mesma maneira ou com a mesma intensidade. Às vezes, até me odeiam. Mas nem por isso deixo de amá-los. Apenas sofro calada. Amor é doação e não um vale-troca.
Neste momento, a luz vermelha se acende... sinal de alerta.
Então enxerguei que mesmo nos quase 28 anos ainda sou estagiária quando lido com sentimentos...
Será meu signo o culpado?
Behhhhhh! Resposta (ou pergunta) errada.
Ser rasa para assunto tão profundo não é do meu feitio. Quero saber. Quero entender.
Por quê? Por quê?
E as luzes começam a piscar de maneira inquietante... Meu Deus, o que será isso?

 

 

Escrito por Marcella às 15h22
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Escrito em 24-09-09

Quando um problema passa a ocupar a maior parte de nossa mente, é hora de nos distanciarmos dele.

E a pergunta é: Como se distanciar física ou mentalmente daquilo que nos pré-ocupa?

É... não é fácil recuperar o espaço interno perdido, mas não impossível!

Se perceber que você está sendo tomado por uma justa indignação, este é um sinal claro de que já fostes longe demais... e que a possibilidade de causar alguma mudança favorável estará comprometida... ou até nula.

Acreditar ou idealizar uma saída se torna somente outra maneira de erigir muralhas diante de si mesmo, ou seja, fazer tu não enxergar a verdadeira lição por detrás desse sofrimento. Lição que a Vida se encarregou de te dar... e quanto mais insistires, mais sofrido será. Processo cíclico? Viver a mesma coisa com pessoas diferentes.

Todo mundo certamente já sentiu, alguma vez na vida, a sensação do "de novo isso?"

Aquilo vai e volta...

Não percebemos quanto poder transferimos para a pessoa quando pensamos: "Enquanto eu não tirar isso a limpo com ele, não sossegarei". E agindo assim, ficamos presos à capacidade de entendimento com o outro SÓ para recuperarmos a tão esperada sensação de calmaria.

Só?

Sim. Pois ao recuperarmos a calma ou alívio, seja como for, passado algum tempo, tudo se repete. Justamente porque tu ainda não aprendeu a verdadeira intenção desta experiência.

Até um dia que de novo acontece e você tenta, tenta e não consegue a calma.

E agora?

Eu sempre consegui. E porque agora não consigo?

Você briga, esperneia, sofre, chora. Tudo porque você sempre venceu isso e agora isso te vence.

E é a partir do momento que tu aceita o quanto foste reativo diante do problema, do quão grande muro levantastes diante dos teus olhos que ele deixa de ser sofrido, dolorido.

Porque, no fundo, por mais surreal ou caótico que possa parecer, o fato de tu não aceitar a maneira como o outro se portou diante do conflito que gera o teu calvário.

E quando você perceber finalmente que se o problema é seu, e só seu, somado à intrínseca intenção de não quer sofrer mais por circunstâncias desse gênero, chegou a hora de tu, de uma vez por todas, aprender a lição e resolvê-lo... sozinha.

 

Escrito por Marcella às 15h17
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Fazem 8 meses e 2 semanas que não acesso meu blog. Porém nem por isso deixei de escrever... Sei lá o que houve, não tive vontade de postar nesse meio tempo. Mas é que ultimamente tenho tido bons "insights" para produzir meus textos e, como mágica, a vontade de voltar a usar este meu espaço cibernético voltou! Fico feliz.  Gosto de escrever, mas como Clarice Lispector, gosto ainda mais de ser aprendiz. Quero continuar escrevendo... mas só quando bate "aquela vontade". Ser aprendiz tem suas vantagens.  

Geralmente escrevo quando dói, quando amo, quando a saudade  não cabe em mim. Acho ilógico neste momento postar os textos que escrevi neste meu período "off-web", com exceção de um.

A maioria já cicatrizados, não me agrada ler o que escrevi no passado. Me interessa o presente. E do futuro, espero o que não vi, o que não vivi e o que ainda não experimentei, ou seja, não espero nada porque simplesmente não sei.

 

 

Escrito por Marcella às 14h47
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16/02/2009


Bom, é o seguinte: São 3 horas da manhã, pra variar, sem sono. Dormi a tarde inteira. Foda!

A questão é que estou cá com meus pirulitos e subitamente me peguei pensando nas próximas fodas... que coisa caótica! É, na verdade, coisa gostosa. Mas eu nem sei se haverão outras? Ah, foda-se. Eu tô bem aqui pensando, acho que com ele conseguiria colocar algumas coisas em prática que certamente não iria expor pra qualquer um. Não valeria a pena. Mas com ele talvez seja diferente do tipo, não ter hora certa pra transar. Do tipo, não ter posições prontas, iguais aquelas vistas em revistas femininas. Não que não ajude, acho até curioso e proveitoso saber, mas de qualquer forma, acho eu que com ele, não teríamos pudores. Hum... Será? Calma, o que quero não foge dos padrões de ter apenas duas pessoas no mesmo quadrado, mas aquela curiosidade "boa", que eu acho ótima, de desbravar o então desconhecido ou esquecido, talvez. Talvez com ele me sentisse segura pra mandar torpedos "calientes" no meio do dia, sem parecer devassa, apenas por desejá-lo. Deixá-lo se perder em seus pensamentos, louco e tão louco a ponto de arranjar uma desculpa qualquer e sair do trabalho a minha procura. Como se tivesse o dom de seguir meu rastro pelo meu cheiro à ponto de, quando me encontrar, me devorar com seus olhos cor-de-mel, que quase não me chama a atenção, quase nada. Massa! Sabe essas coisas bobas e loucas, que a gente sabe que existe mas quase não vive? Esse receio bobo, coisa chata, que não nos permite dar vazão a umas boas insanidades e certamente um pouco mais de emoção pras coisas boas da vida, pras nossas vidas... Tesão isso, hein? Putaquepariu, me dá até coceira na cabeça de pensar o que poderia acontecer caso ele se empolgasse com a idéia. É... não seria nada mal isso. E quer saber? Foda-se se ele pensar que foi fácil, que fui fácil, toda essa coisa aí de ser, estar, permanecer fácil. Afinal, não conjugo esse tipo de verbo mesmo, então: foda-se! Só quero que ele saiba que se ele quiser também a foda será só dele. Não só a foda. Mas tudo. E não menos que isso. Ponto. Não vou ficar aqui me lamentando. E também não seria justo ele tirar conclusões agora. Não agora. Afinal ele sabe o real motivo da minha ida a casa dele e é isso que me importa. Nos importa. E não adianta ele enganar-se ou fingir que não sabe. Ele sabe. 

 

Escrito por Marcella às 03h42
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Ok. A realidade, por vezes, difícil de ser encarada, não pode ser ameaçada pelo padrão certo-errado exercido pela sociedade hipócrita. Não que eu não faça parte dela, é óbvio que sim. Certamente já dei meus "pitacos", muito errados por aí e, se for mesmo me avaliar, eu até pouco tempo atrás me baseava no que o outro iria achar. Puta idiotice. Mas também não posso simplesmente fazer-de-conta que essa hipocrisia toda não interfira, não interaja em algum momento na minha vida. Ou na vida dele.

Ok. Vou ser mais explícita. Afinal, alguém aí pode se perguntar: Mas de que diabos ela está falando?

Bom, o negócio é o seguinte: Nada, nada nessa relação cumpriu até agora os protocolos do óbvio. Nosso ”caso” nem de longe vem beirando "o modelo correto" - meus 2 únicos namoros passaram bem longe disso - E por experiência, aos olhos dos demais, tudo isso é, digamos... incomum. (Mas eu nunca quis ser muito comum mesmo... Pra ser mais sincera, eu abomino a idéia de ser comum.)

Então, cá estou eu tentando entender o que talvez não tenha entendimento, simplesmente porque aconteceu. Ponto.

O que de fato me levou a casa dele ontem foi intrinsecamente à vontade de vê-lo. Fato. Nos vimos uma única vez e a sensação de ambos era que já nos conhecíamos há algum tempo. Nos vimos uma única vez. Louco.

Queria ficar ali. Quieta. Olhando... Olhando pra talvez descobrir o que o destino estava me preparando, ou está, ainda não sei ao certo. À medida que o tempo foi passando, fitava-o, sem que ele percebesse. Estava disposta a entender o que eu sentia, o que ele sentia, mas sem exagerar muito nas palavras. Costumo utilizar a arte de falar pelo olhar. Não queria entrar no mérito do futuro. Não agora. Queria apenas estar ali. Talvez encontrasse algo, uma pista que pudesse me ajudar a clarear um pouco mais o que estava, e está acontecendo. Eu e minha estranha mania desbravadora de querer enfrentar o futuro. Como se conseguisse. Talvez o que me faz estar aqui, escrevendo, é o fato de tê-lo conhecido, digamos, mais intimamente. Bom, acho que não era bem isso que eu queria. Não, de fato não era.  Não ali, naquele momento. Bem, não que eu não quisesse. Mas não ontem. Atrevo-me a pensar que não era bem o que ele planejava também. Mas aconteceu. E por mais que eu fique aqui me condenando do por quê, afinal aconteceu, eu agora vou ter que lidar com isso de forma muito racional. Eu não sou nada racional. Mas diante de tantos beijos e toques seria hipocrisia, talvez patético, se não rolasse, afinal, estávamos sós. Essa  nossa estória de uma semana quebrou todas as regras do óbvio. Primeiro, porque ele sentiu ciúmes de algo que não tinha o porque sentir. Não somos namorados. Talvez tenhamos algo. E confesso que tenho uma grande dificuldade em assumir que temos algo. Não que eu não queira, mas faz tão pouco tempo... Cara, isso faz uma semana! Claro, não posso negar que gostei da reação dele ao saber que havia beijado outro nesse período. Não foi intencional. Claro que não! Mas só faz uma semana! Acho que talvez esse seja um dos grandes motivos de querer ter ido até lá vê-lo. O outro? É... o outro era a saudade. Lógico. Não consegui dizer-lhe muita coisa. Eu definitivamente não sou boa nas "palavras faladas". Já até avisei-o sobre. Não era o meu propósito falar. Queria apenas sentir. Haveria de aparecer ali, em algum momento, uma certeza. Saí frustrada. Não a senti ali, na hora da despedida, mas algumas horas depois, eis que ela surgiu. Não com ele, mas comigo. Porra, não consegui captar nada. Nem tô acreditando nisso. Essas minhas anteninhas estão deixando a desejar... já fui melhor nisso um dia. Talvez tenha percebido algumas coisas nele, como exemplo, a desconfiança. E isso mexeu comigo. A parte boa é que diz ele ser sincero e que começamos bem. E isso é fato. Já disse coisas a ele que demoraria talvez meses pra falar. E ele, por sua vez, confessou o ciúme bobo, que não fazia sentido, mas que não negava sentir. Achei ótimo! Mas... e agora? E agora pós-foda? Será que ele me acha fácil demais? Não queria que pensasse assim... acho até que iria doer se soubesse que pensou isso, porque eu sei que não sou! E agora? Como posso explicar pra um quase-estranho que não era nada disso que eu queria para aquela noite, sem ofendê-lo? E que não é muito do meu feitio me permitir tal coisa? Bom, tenho que deixar claro que não acho errado. E que já fiz isso um dia. Mas não com quem eu queria por perto mais tempo. Eis a diferença! E é nisso o que me apego agora. Humpf. Pra me poupar, estou tentando encaixar isso como mais uma "quebra do protocolo", como todas as outras. Afinal, nada até agora cumpriu "as regras". Até o fato da camisinha. Não que eu me arrependa, não é isso... mas não posso negar que talvez crie um buraco entre a gente... ou não. Posso também imaginar que isso nos aproxime mais. E que daqui a alguns meses possamos rir muito de toda esta minha preocupação fútil. Vai saber o que o tal futuro me reserva...

 

Escrito por Marcella às 23h22
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12/02/2009


Uma carta ao príncipe que certamente não será encantado, eu sei, então a gente finge ser... pronto!

Que você

Seja inteligente, não precisa ser brilhante... mas opinião própria é essencial;
Questione-me com argumentos reais, sem sofismo;
Um jeito singular, a forma de andar, tua maneira de me olhar, algo tem que te destacar;
Concordo também...um segundo idioma é mais que bem vindo.
Seja carinhoso, atencioso, saiba me amar sem eu ter que pedir... Odeio pedir. Afinal isso se faz necessário? Creio que não.
Troque comigo. Troque idéias, troque gentilezas, troque declarações e recadinhos
Seja sutil. Mas saiba ser extravagante também... saiba mostrar-nos ao mundo. Vou adorar te admirar de longe;
Ler é bom para a mente, ser crítico é bom para ambos.
Cinema, Livraria, Temaki, Bike, Natureza, Viajar, Ficar em Casa...

Caminhar, Praia, Restaurante, Disco, Motel, Boteco, Esquenta, Teatro, Praça, Avião;
Amigos, Festas, Amigos de Verdade. Apresente-me os seus e eu apresentarei os meus;
Chique ou simples, casual ou formal... apenas tenha algo que seja todo seu.
Demonstre-me o quanto sou importante para você... e eu farei o mesmo!
Espontaneidade.

Faça uma loucura. Adoro surpresas! Você não?
Olhe-me nos olhos... isso, continue me olhando, vem no meu ouvido, fale-me baixinho e me devore com tuas palavras;
Tenha pegada. Seja safado comigo... mas só comigo! Faça-me delirar;
Às vezes também quero colo. Eu sei, às vezes você também vai querer. Normal. Também faço cafuné, sinto teu cheiro, te acaricio.
Mostre aos outros o que sente por mim. Isso me valoriza. Vou achar o máximo!
Seja sensual comigo... a hora que você quiser. Jogarei meu charme quando menos esperar.
Tome banho comigo. De chuveiro, de banheira, de chuva, de mar, de piscina... até mesmo de cachoeira. Vou adorar!

Seriedade é bom, brincadeira também, Mas tenha responsabilidades;
Por favor, seja um pouco organizado... porque eu não sou muito não.

Seja bom, humilde e humano;
Amo perfume.
Uma música só nossa. Talvez um filme nosso também. E não só uma, mas várias boas lembranças... só nossas.
Seja companheiro, sente ao meu lado quando eu estiver em silêncio... por vezes o silêncio me faz bem.
Saiba apreciar um quadro, uma paisagem, uma foto. Saiba nos apreciar.
Ame os animais, abrace árvores comigo, se entregue a natureza como eu me entrego e o universo nos compensará.

Seja ecológico. Tenha atitudes ambientalistas. Ok, não precisa ser radical... mas jogue seu lixo na lixeira, está bem?
Tenha sonhos. Sonhe comigo. Acredite neles. Acredite nos meus. Faça planos absurdos, outros nem tanto. Mas faça!

Os meus sonhos não têm limites... os seus tem?
Ria. Ria muito. Por vezes vai querer chorar. Estarei por perto, fique tranqüilo.

Seja divertido. Leva sua graça aonde formos. Seja querido com todos. Perceberá meu sorriso e por isso te farei cócegas na cama.
Não traia.
Faça muito amor comigo. Satisfaça-me com você. Se acabe comigo. Sinta o prazer que te dou, mas descubra do que gosto. E deixe que eu descubra o resto. Sou boa nisso.
Minha percepção é extra-sensorial. Às vezes noto o que você não nota... e se eu te chamar pra conversar, converse comigo... não fuja - Assuma!

Não mude de assunto - Assuma!
Sim, eu erro. Mas também sei pedir desculpas. Você também? Que bom! Orgulho não tá com nada meeesmo;

Eu acordo de bom humor, principalmente se você me der boas razões para isso;
Às vezes quebro todos os relógios biológicos e lógicos. Relaxa, é assim mesmo, não fique assustado. O legal é não ter hora para acontecer;
Me telefone. E quando for só para ouvir minha voz, não tenha receio em falar isso.

Acharei graça. Farei manha.
Me elogie. Elogie seus amigos. Pratique a gentileza;
Mande-me mensagens a hora que você quiser. Eu costumo responde-las sempre.
Seja intenso. Vá de encontro com o que quer. Chega de tons pastéis... seja VIVO, IMPETUOSO;

Beijo é bom, mas um abraço apaixonado... ai ai

Mostre-me do que é capaz;
Sinta algum ciúme por mim. Já adianto, eu sou ciumenta.  
Não esquece... eu adoro transar.
Quer discutir, brigar. Ok, pode ser. Mas depois não vira a cara se eu te falar boas verdades. Sou muito boa em dar lição de moral e eu sei que isso machuca bastante. Então, vai com calma!

Me leve, me carregue, me convide, me convença.
Pode ir lá com seus amigos. Se divirta. Fará bem para nós.

E quando estiver lá, apenas pisque para mim. Isso será o bastante.
Seja sensível. Não há coisa pior no mundo do que suportar a indiferença de quem a gente gosta.
Me leva para dançar musica latina. Certeza que vai enlouquecer. Daremos um show, você e eu.

As pessoas ao redor irão olhar, comentar e muitos até irão invejar, mas não tenha dúvidas de que, na hora certa, indicarei quem é o meu par;
Aprecie a boa e velha arte de dialogar.  Saiba, isso faz toda a diferença!

Goste dos meus assuntos.  Prometo que irei me informar sobre os teus, para discutirmos quando quiser, mas tenha novidades. Seja sempre informado.
Se perca olhando para mim. Sorria em silêncio e me faça ficar sem jeito. Você não irá se arrepender!
Prefiro a sabedoria da vivência à clichês do cotidiano e relacionamentos efêmeros.
Prefiro qualidade à quantidade. Inclusive nas horas que estou com você.
Gosto das palavras, saiba usá-las comigo. Escreverei mil poemas exclusivamente seus.

Mas lembre-se: a atitude é superior a elas, por isso, prove e seremos um.

 

 

 

Escrito por Marcella às 21h29
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11/02/2009


                      legenda: um abraço por trás do Urso Gigante!

 

Sinto falta do amigo Rommel... não dá pra negar ou me enganar.

 

Escrito por Marcella às 23h15
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